Claire Bretécher

Faleceu Claire Bretécher, uma senhora do humor adulto

A editora Dargaud anunciou o falecimento da autora de banda desenhada francesa Claire Bretécher.

Nascida em Nantes, a 7 de Abril de 1940, contava 79 anos e uma carreira marcada por um humor subversivo e adulto, debruçado essencialmente sobre a sociedade francesa.

O desenho foi sempre um marco importante na sua vida e foi pelo seu ensino que começou, no início da década de 1960, embora só por breves meses. Depois, trocou o ensino pela prática e começou a publicar desenhos e cartoons em diversos jornais franceses.

Nesta primeira fase da sua carreira, publicaria também nas revistas “Tintin”, “Spirou” e “Pilote”, onde trabalhou com argumentistas como Raoul Cauvin, Yvan Delporte, Jacques Lob ou Marcel Gotlib.

É desta época a sua primeira grande criação, “Cellulite” (Pilote, 1969), uma princesa longe dos ideais estereotipados dos contos de fada, em busca dos pretendentes que nunca apareciam. Independente e livre, prefigurava o que seria o feminismo nos anos 1970.

Dois anos mais tarde, aconteceria a viragem na sua carreira, quando fundou, com Gotlib e Nikita Mandryka, a revista “l”Écho des Savannes”, que significou uma abertura total a um humor adulto, ácido, impúdico e até escatológico, e abriu caminho a um novo tipo de publicação e de banda desenhada.

Paralelamente, um ano depois, em 1973, nas páginas do “Le Nouvel Observateur”, surgiram “Les Frustrés”, uma visão irónica do microcosmos intelectual parisiense de esquerda, onde deu largas ao seu grafismo, aparentemente simples, mas nervoso e muito eficaz, com que daria igualmente vida a “Agrippine” (1988), um retrato cáustico mas realista da adolescência. Estas duas séries foram adaptadas em desenhos animados, pela televisão francesa.

Numa carreira que passou igualmente pela auto-edição e pela pintura, realce para a grande exposição que lhe foi dedicada pela Biblioteca do Centre Pompidou, em 2015, e para três distinções concedidas pelo Festival de BD de Angoulême: Melhor Argumentista Francesa (1975), Grande Prémio Especial (1982, nos 10 anos do evento) e Melhor Obra de Humor (1999), para “Agrippine et l”Ancêtre”.

Fonte:https: www.jn.pt